Viver a dissidência

07.12.2022. Viver a dissidência. Serra Grande, Uruçuca, Bahia. Um sopro para artistas por Amanda Maia.

O que se espera – ou se exige – de cada ser que se envolve no dissolvente jogo do fazer parte de uma sociedade baseada na culpa incapacitante? Para além das respostas prontas, somos corpos viventes. Não há como mudar. É a Vida que flui em nossa carne. Nada é óbvio. Até as buscas estão em mutação. É o Tempo que nos alimenta. Determinismos apressados nos adoecem. Nossos corpos ardem pelo que está adiante enquanto nossas intenções têm raízes. Somos fruto. Parte bicho e parte planta, ateados à memória que nos alinha dia após dia, noite após noite, habitamos o reino da terra e haverá quando nos entregarmos ao instante de não nos enxergarmos mais enquanto porções individuais de aprendizados e experiências. Esse quando, não sabemos precisar no misterioso ritmo em que pulsamos. Até lá é preciso amar as fronteiras, as beiradas, as provações. Quem pode soprar o porvir que te encadeia? Quem sabe mais sobre o que a sua pele explora? É tudo sobre você. Há mundos dentro de mundos e todos cabem na sua íris. Há muitas dimensões de existir e muitas realidades a povoar. Acima das sobrancelhas há uma floresta infinita. Dançamos o perene e o urgente na cúpula do horizonte-miragem. Nenhuma palavra inventada nos cabe. Qualquer sabor é tão único quanto a sua língua é. Não esqueça de lembrar da primeira ignição. Padrões são pra vestes, decorações, seriações. Repetições são pra sistemas, métodos, hábitos. Nossos ossos são o ouro que anima a criação. Os cheiros nos movimentam. Somos o Agora manifesto, urdidos na impermanência dos conflitos. No fogo do último segundo, toda verdade se mostra. Todo saber nasce do Desejo. É sempre hora de se reinventar.

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