Saber-se aprendiz do Tempo

23.07.2022. Saber-se aprendiz do Tempo. Serra Grande, Uruçuca, Bahia. Um sopro para artistas por Amanda Maia.

Quem espera o soar dos sinos da calamidade para erguer-se diante do desespero pode não encontrar as forças que supõe. Há tanta amortização anestesiante à nossa volta que descredita-se as experiências de êxtase de seu lugar de poder. Talvez você morra sem se dar conta. Engodos mediadores se alastram para intoxicar qualquer percepção profunda que faça nascer esperança. Não se engane. O horizonte é sempre ilusão. Retira-se a fé na revolução dos mundos e a verdade dos sentidos se esvai, refém de tantos vícios por efeitos. Fé não é fanatismo. Copiar não é saber. A sabedoria mora na certeza da criação. Mãos, olhos, bocas, artefatos para fazedores que se interessam e transduzem vontades, semeiam movimento. Aprisionar a visão em medos disfarçados de condescendências alternativas pode te fazer padecer no sufocamento da ensimesmação. Nem você sabe tudo, nem tudo é sobre o que você já sabe. É preciso saber-se aprendiz do tempo. Artistas precisam fulcrar no coração a bússola que norteia suas escolhas. São muitas as distrações dedicadas a fazer evaporar o sentido de agir. O nefasto jogo do entretenimento nos rouba tanto o ritmo quanto a cadência dos ventos da inspiração. Ainda assim, artistas jamais andam sozinhos, suas existências são fios contínuos na grande teia do Tempo. Não espere o tarde demais. Ocupe-se da eternidade desse agora. Revolver para criar. Rememorar para aprender. Que o desejo de liberdade faça nascer amor pra viver tão ousada missão.

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