Diante do Riacho Pancadinha

22.09.2024. Guilda Anansi vivendo a vida na represa do Riacho Pancadinha. Aprendendo e partilhando a visão. Serra Grande, Uruçuca, Litoral Sul da Bahia dos Mistérios. Texto por Hellen Karoline e registros por Larissa Soledade.

O Tempo caminha e nos ensina a cultivar laços de saúde que nutrem os corpos para a lida dos dias. Vivemos juntos partilhando as delícias, a visão de mundo, saboreando e aprendendo com o vai e vem malemolente das adversidades, caminhando com os pés no chão, encontrando significado nas historias que criam raízes na memória, existimos culturalmente aprendendo com a rua, e fizemos nossa casa na sabedoria das antigas.

Sentar na beira do Riacho Pancadinha é ver os xexéus voarem rasgando o céu em preto e amarelo. Desejar a queda d’água e ao mesmo tempo não fechar os olhos para o esgoto despejado criminalmente em suas águas. É ver a organicidade da existência na beira da represa, galinha, varal, vara, anzol, criança correndo e pulando do balanço amarrado no pé de Jamelão.

A inteligência da comunidade organiza a vida. Entre uma mesa e outra, exala o cheiro da comida baiana. É paredão, é cerveja, brincadeira, e as vezes confusão. Na conversa e na ginga se aprende a vencer as rasteiras e a sorrir as idas e vindas.

Conversar é tecnologia ancestral, ver a vida acontecer é essencial para entender sobre o contexto histórico cultural da nossa Bahia. Pra não comer mosca é preciso saber quem se é. E isso o território evidencia.

22.09.2024 » disseminadora em gêmeos » lunação de virgem »
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