Por que uma guilda de artistas resolve dançar com a dimensão partidária?
06.05.2024. Por que uma guilda de artistas resolve dançar com a dimensão partidária? Serra Grande, Uruçuca, Bahia. Uma carta-manifesto da Guilda Anansi, por Amanda Maia.
Se a Revolução nasce dos pequenos gestos, é preciso assumir-se a tal flor que brota do asfalto. Encher o peito entre os tempos, depois das calmarias, para além dos cinismos e das covardias, inventando o próprio presente com o coração batendo asas rumo ao futuro que irrompe da esperança vertida em ação.
Pouco a pouco, e sempre mais, reconhecemos o intrinsecamente mutável tabuleiro das tensões entre os acordos comuns de realidade. Despertamos para assim jogar no solo da disputa de imaginários e cultivar o Bem Viver.
Dia a dia, aprendemos a navegar pelas perigosas águas das pulsões de um lugar em que o permanente é a disputa de narrativas. Rua é mar. Mar é mundo. Mundo é rua.
Se o palco dessa guerra é a Linguagem, enxergamos as fendas sagradas em meio a um sistema embrutecedor, buscando as rasuras e frestas pra mirar e acertar no horizonte das primaveras. Tilintamos nossos cálices em festa de sorriso largo a cada frente da mais árdua luta. Somos da sabedoria dos botecos, das sarjetas, das dissidências, dos cruzos, dos silêncios que gritam em cada esquina esquecida pelos poderes dinheiristas.
Sabemo-nos território-encruzilhada, filhotes da caboclagem, corpos preenchidos da mandinga antiga que corre no mapa de nossas veias. Despertamos da memória de nossas Antigas. Reencantamos as porções perdidas que nos negaram em nome da fétida escravidão maquinicista. Somos a antinomia da dependência tecnológica. Somos a magia que exala no Agora.
O que o Desejo é capaz de fazer brotar além dos muros de asfalto que se estendem devastando a Vida sob nossos pés? No vai e vem do Movimento, a pergunta arde e provoca, inflama e instila, combustível e alimento, tinta indelével pra marcar o Sim e riscar o Não. Somos multiplicidades variantes de imprevisíveis possibilidades. Somos jorro de caos nas tempestades. Compreendemo-nos assim nas sutis forças da coletividade.
Exu nos sabe. Das mais improváveis flores nascem os mais deliciosamente perigosos frutos. É preciso revirar o complexo da diversão até reunir as forças sinceras pra mover a Vontade. Daí, agir. Agir com coragem, audácia, determinação, resiliência, solidariedade, destemor. Só a ação salva. O poder é exatamente esse. Dançar.
.xxx.
} lunação de gêmeos, outono cardeal, ano da vassoura.
.exu sabe mais, só a ação salva.
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