Fazer valer o que se admira

16.06.2022. Fazer valer o que se admira. Serra Grande, Uruçuca, Bahia. Um sopro para artistas por Amanda Maia.

Na realidade sintética a covardia se faz heroína. Há medos vestidos de desfaçatez a cada rolar infinito de informações inúteis. Entregamos, pouco a pouco, nosso poder de criação nas mãos de máquinas acéfalas insufladas por pautas ilusórias. A rede que aqui se mostra é sempre ávida em pescar mediocridades para aumentar o estoque das futuras servidões. Peixes frustrados sempre vendidos por insignificantes mixarias.

As novas gerações mal sabem que telas precisam de energia pra se manterem ligadas. Li-ga-das. Telas artificiais jamais estarão vivas. Ou se rompe artifícios anestesiantes ou tudo se esvazia no minguado fenômeno midiático em que muito é dito e nada é, de fato, escutado. O reinado dos poltrões encobre de toxidade massiva a potência de artistas capazes de mudar o mundo onde as pessoas vivem e morrem.

Nessa zona enquadrada, tudo é sobre um ódio amorfo minando de relações que nem chegaram a florescer. Chegará o tempo em que a maquinaria superará a humanidade e ninguém terá ouvidos tampouco coragem pra ostentar em musiquinhas engraçadinhas. Caminhamos para ofertar nossas almas ao grande Nada toda vez que acreditamos ser possível fazer alguma diferença ao engrossar a legião de cegos que destila seu veneno insípido nas redes sociais virtuais.

E o que você admira, onde está? Por que não compartilhar as frestas entre escombros e fronteiras? Por que não adensar a verdadeira revolução, aquela que não carece de heróis ou vilões, aquela que mudará os dias para além das narrativas enlatadas que consumimos da usurpação imperialista? Onde está a visão estratégica de tornar conhecido e evidenciado o universo das pessoas que te levaram à escolher ser artista? Foi apenas o dinheiro que te trouxe aqui? Se assim for, não é a você que essa mensagem se destina.

A mística não anda apartada da sua inspiração. Artistas enxergam firmamentos nas linhas do Tempo e é de lá que brota a criação. Quem costura com linguagem nasce sabendo fazer feitiçaria. Você já aprendeu a escrever? Quem plasma tintas em painéis do imaginário dá passos largos em direção às mais imensas fogueiras. Não há como escapar. Você quer desistir?

.xxx.

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